holas.dos imeios que recebi em reação à minha decisão de suprimir desta caxanga o campo de comentários, a maior parte acusa estranheza - "ué, e a interatividade?", "censura?" [sic].
já imaginava.
não que eu seja, digamos, bidu.
as gentes é que andam muito óbvias - e, logo, previsíveis.
contando com isso, já tinha em mente fazer uma postagem explicando a decisão, a qual, se será compreendida ou não, muito francamente, tipo foda-se.
a ela, pois.
sou um entusiasta da livre expressão e, logo, de todo e qualquer meio que a viabilize - e, não de hoje, o que mais há e o que mais surge são ferramentas e espaços para suas respectivas forja e exibição.
oba! aleluia! o odioso - porque imbecil - "u-hu!" e todos os salamaleques saudando a tudo isso.
mas...
sempre tem, com as cabiveis reticências, um mas.
por natureza, já não somos muito dados a pensar, o que, convenhamos, explica o $ucesso e a fama de uns e outras pelaí.
com tantos e novos brinquedos, noto, o troço piorou.
Henry Louis Mencken, jornalista estadunidense que, dos anos 20 aos 50, foi a voz e a consciência crítica daquele país - e que pra mim é e sempre será um farol -, afirmava que só podia ser completamente equivocada a didática escolar com a qual ensina-se as crianças a escrever antes de ensiná-las a pensar.
assino embaixo.
pré-revolução da comunicação, o blá-blá-blá já era nosso.
bastava um salão [de barbeiro ou de beleza], uma esquina, um táxi, um balcão de botequim, qualquer lugar que comportasse mais de um indivíduo, enfim, para que os mais variados gênios fizessem saber a todos - mesmo e principalmente a quem não queria saber - o que de brilhante pensavam que pensavam sobre os mais diversos assuntos, desde os mais complexos interesses e rictus que envolvem a economia, passando pela revisão de tudo o que Freud diagnosticou da mente humana, até o melhor horário pra se regar um canteiro de begônias.
como diria o saudoso sábio Mussum - salve, salve! -, "cacildis!"
contudo, abandonado o ambiente tornado "tribuna", adiós falsos renascentistas, ou legítimos e cabotinos pascácios.
hoje, na uébi, que é onde passamos a maior parte de nosso tempo, não adianta abandonar um ambiente, posto que, com um clique no rato, e anonimamente, esses boçais acima citados lhe [per]seguem - e pior: em 1 minuto, impingem tudo o que pensam que pensam sobre algum assunto que você gastou um tremendo tempo pensando no que dizer a respeito e ou elaborando a melhor forma de fazê-lo.
isso, mais do que falta de educação, é um chute nas gônadas - digo, pra mim, que percebo que o que se quer, em verdade, não é uma discussão, ou um - bleargh... - "debate", mas, sim, usar o raciocínio dos outros como mera escada, ou palco, para a projeção de cabotinismo pessoal, o que se pode comprovar pelo teor dos comentários expelidos, que quase nunca têm picas a ver com o assunto abordado numa postagem...
invariavelmente, estes tipos não têm um blogue, um çaite, porra nenhuma que não perfis criados exclusivamente para que possam pingar gotas de sua sapiência - e hectolitros de sua vaidade - nos mais diversos cafofos eletrônicos de terceiros.
fácil entender.
num espaço próprio, o gênio teria uma visibilidade X - a qual, considerando-se o que pensa que pensa, corresponderia, inicialmente, a uns 18 desavisados. depois de 1 mês, quando parte destes se desse conta de onde tinha caído [por acidente, frise-se], restariam uns 5; destes, 2 seriam alter-egos criados pelo próprio gênio pra 'rivalizar' consigo mesmo, gerando um acirrado "debate", assim fazendo os outros 3 - meio panacas, pode-se presumir - acharem que os plás do gênio geram "polêmica"...
entretanto, diariamente, o contador de seu cafofo o força a ver o fiasco de seu marquetim. então, o que faz o gênio? isso mesmo: parasita o maior número possível de caxangas alheias, conseguindo, enfim, uma bem maior visibilidade.
quando não é isso, o seguinte: atem-se ao tema da postagem, ao fazer o comentário - quase nunca menor que imenso, diga-se... -, mas, no final, touché:
- "Ótimo, isso que escreveu. Escrevi algo parecido no meu blog. Vai lá, se quiser. O endereço é...".
ou seja: publicidade, e só e fim.
publicidade pessoal, ou de seu [dele] blogue.
má notícia [para estes tipos]: eu não sou um autidór, tampouco meu blogue o é.
logo, não mais tratados narcísicos travestidos de "comentários".
antes, quando minhas gônadas estavam menos infladas, ainda me prestava a moderar, ou mesmo rejeitar comentários, o que nunca fiz sem, antes, ler tudo, algo que me fritava os grãos.
agora, não mais.
deu.
cansei dessa merda toda.
cabô.
até pensei no prejuízo embutido no silêncio que, por invevitável extensão, foi imposto às pouquíssimas gentes cujas mentes e bocas não são, respectivamente, privadas cheias e canos hidráulicos travestidos de megafones. mas, depois, pensando bem, lembrei-me que taí ao lado, no menu, um meu imeio para contato.
quem quiser, sinta-se à vontade.
a supressão do campo de comentários visa a conter o, digamos assim, impulso opinativo, e, logo, emissão de idéias elaboradas não a partir dos fatos, mas da demanda por atenção dos gênios.
ora, vão se foder - e literalmente, digo, pois estão precisando de alguma outra forma de prazer além do obtido com esse onanismo pseudo intelectual.
a supressão é, ainda, creiam-me os leitores com algum interesse no que escrevo, a única forma que vejo de não desistir de vez de manter esse espaço; logo, apesar do radicalismo inerente à decisão, considerem tudo como uma legítima demonstração de apreço e respeito para com vocês.
com tantos meios para propagação da liberdade de expressão - e me oponho ferozmente a qualquer um que se ouse a limitá-los, assim limando inclusive os gênios -, natural que o volume de informação se tornasse desmesurado.
mesmo assim, tá tudo certo, tá tudo bem.
a solução é cada um escolher o que quer saber e, muito importante, de quem quer saber.
felizmente, há muitos e tantas que produzem informação sobre os mais variados pontos que são de meu interesse, e o fazem muito bem, com o que, por ora, não me sinto apto a elencar "favoritos"; no entanto, me é fácil, e muito, escolher do quê - e de quem - não quero notícia.
interromper o acesso destes ao átomo de universo virtual que ocupo me é um bom começo de resistência a estes que da revolução de comunicação tiraram e cultivam apenas aquilo que de tão execrável esta compreende: um excesso de informação muito superficial - quando não apenas demente - sobre assuntos tão profundos quanto variados - e ainda pior: um inigualável e incontrolável poder de propagação da cretinice, da mediocridade e, último, mas não menos desagradável, da chatice que essa gente representa.
não acredito, nem nos raríssimos dias em que aquilo que ainda me resta de melhor me inunda de otimismo quanto a nós [como espécie e, quá-quá-quá-quá!, como povo], que, ainda que em escala milimétrica, nos aproximaremos da lógica proposta por Mencken, de aprendermos a pensar, primeiro, para só então, falando ou escrevendo, expressarmos o que se nos vai pelos miolos.
pessimista, eu?
olha em torno e me diz:
quantas ferramentas têm sido criadas para expressão?
impossível contar, confere?
e quantas já foram criadas para estimular a reflexão?
impossível apontar umazinha que seja, pois não?
sem comentários, né?
aqui, também.
escrevo com o intuito de provocar reflexões, não discussões.
simples assim.
hasta.
°°° à faixa 16, Creedence, que só mesmo quem andou levando uns bois a Júpiter nos últimos 50 anos precisa saber de quem se trata e da importância desses 4 caipiras para a música pópi, especialmente ao rock - e, como me recuso a perder tempo com tais alienígenas, só o que digo, cuspindo o fumo mascado e apertando a tecla sap, é:
Bill tornou-se, pois, um esteta da arte de compôr músicas ideais para se ouvir ao fim de um relacionamento - e o melhor: sem que, apesar da dor, se queira cortar os pulsos, como nos inspiram a fazer, ainda que de mentirinha, as canções de... Damien Rice...
°°° olhe bem a foto acima.
°°° permita-se, igualmente muito e sempre, Tom Waits.
por ora, détis au, fólquis.



"Strange Fruit", o nome da 6ª faixa desta edição do programa, é como os escravos dos EUA se referiam aos corpos de seus parentes e amigos que encontravam pendurados nas árvores dos ranchos em que trabalhavam, enforcados ora pelos "masters", em punição a uma tentativa de fuga, ou a algum ato que estes tomassem por insubordinação, ora pelos genocidas da ku klux klan [da qual participavam vários desses patrões...], para a qual enforcamentos eram uma espécie de lazer, ou gran finale de seus ritos de afirmação da "supremacia branca"...

